*CRIMINALISTA E SUA ANÁLISE AO DEPOIMENTO DE LULA*
*CRIMINALISTA E SUA ANÁLISE AO DEPOIMENTO DE LULA*
Bom, aos que acharam que o depoimento do ex-presidente Lula da Silva foi
um sucesso (para sua defesa), aqui vai a opinião de quem trabalhou por mais de
uma década com o Direito Penal e deve ter feito muitas audiências de
interrogatório de centenas de acusados.
Lula estava nervoso, muito nervoso. Tentava aparentar uma calma que não
tinha. Foi contraditório em várias partes do depoimento (quando por exemplo
disse que resolveu conversar com Renato Duque e perguntar-lhe se tinha contas
no exterior, quando anteriormente declarou que ele -presidente e petista - *não
tinha qualquer responsabilidade nos atos criminosos de seus indicados* à
Petrobrás: Duque era indicação do PT).
Se não tinha responsabilidade, qual a razão de ir atrás do
indicado?
Lula foi acintoso para com o Juízo e Ministério Público. Foi debochado,
cínico, arrogante, tentou armar seu palanque diante do ato processual,
repetindo a tese tosca de que estava sendo perseguido por ter feito um governo
excepcional, voltado para o povo do Brasil, fato que se falso ou verdadeiro, é
absolutamente irrelevante para a análise do mérito, pois na verdade
existem centenas de provas mostrando a ligação entre as propinas e a aquisição
fraudulenta de dois imóveis de uso e desfrute de Lula e sua família.
Ele não soube explicar por exemplo, o que os documentos do apartamento
do Guarujá estavam fazendo em sua residência em São Bernardo do Campo.
Não soube explicar também, as notas fiscais sobre as reformas, as
visitas de familiares e etc.
Se não havia a menor intenção na aquisição do imóvel (como declarou), as
tais provas não existiriam - elementar!
A defesa de Lula mostrou-se pueril por sustentar a tese de que a
falecida D. Marisa, se fez alguma transação comercial com Leo Pinheiro e
a OAS sobre o triplex, o fez por conta própria e sem a aquiescência do marido.
Ora! Que idiotice! Afinal, nota-se claramente que é uma estratégia
inescrupulosa da defesa *para jogar a culpa numa finada e inexpressiva
pessoa*, a falecida esposa do acusado.
O desmonte desta infantilidade se daria, por exemplo, pelo fato de que a
falecida senhora não dispunha de recursos financeiros para adquirir um bem de
elevado valor (ainda que tivesse uma conta recheada de pixuleco, ninguém saca
R$ 2 milhões de sua conta corrente, sem que isso não seja notado).
Dona Marisa não era de família endinheirada, não exercia uma
profissão rentável e, salvo engano, recebia uma aposentadoria de um sindicato
cumpañero, de mais ou menos *R$ 20 mil*.
Caso ela quisesse (ainda que para proporcionar uma surpresa ao amado
marido) comprar o apartamento teria que necessariamente recorrer ao
cônjuge para pagamento e desdobramentos burocráticos.
Uma simples checada no imposto de renda da citada pessoa e do acusado
(que deve ser conjunta) *já aniquila esta infantilidade de advogado
nefelibata*, que pensa ser a justiça pouco inteligente ou que desconsidera as
provas materiais da denúncia.
Vejam que a tese é tão estapafúrdia e mostra-se tão artificial que
é usada como “álibi“ de Lula para se eximir do recebimento da propina ou
da compra do imóvel.
Exatamente o contrário do que fez a advogada Adriana Ancelmo (também
usando de artifícios) que se passou por uma servil Amélia, dizendo nada
saber sobre os ganhos do marido e que não questionava os gastos astronômicos da
família, pois sua relação com o ex-governador Sérgio Cabral era de confiança,
apenas matrimonial e jamais patrimonial.
A advogada bem sucedida, conhecida no meio jurídico por transações
milionárias e por chefiar um grande escritório de advocacia era uma reles e
submissa Amélia.
Já Dona Marisa, a analfabeta dona de casa, era uma resoluta
mulher de negócios, que comprava imóveis no valor de R$ 2 milhões no
famoso litoral de São Paulo como investimento, conforme declarou seu
marido, pois "inclusive não gostava de praia“ (sic).
Sinceramente, no tempo em que militava nos tribunais, os advogados eram
bem mais inteligentes e apresentavam outra postura no trato com a defesa de
seus clientes.
O advogado deveria pelo menos ter tentado desconstituir as provas
materiais da denúncia (se é que isto seria possível), mas não, ele preferiu
afrontar a inteligência de uma equipe seleta de promotores de justiça e de um
juiz que já condenou 90 pessoas por todo tipo de corrupção.
O método usado pela defesa foi inadequado. Ainda que exista o glorioso e
aparelhado STF para colocar na rua e absolver o camarada Lula, certamente
na primeira instância, o ensaboado bravateiro *será carimbado como réu*.
Já não se fabricam mais advogados como antigamente, nem na civilidade,
postura ética, ou na formação técnica. Paulo Freire aplaudiu a audiência na
República de Curitiba! Neste caso excepcional, o Brasil agradece.
*Claudia Wild*
Aldeni Soares
Meu canal no youtube.com é Aldeni Soares
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